"Sonhos de um Mosqueteiro"



Este livro (blog) contêm crônicas e poemas por mim escritas, nas quais eu fiz questão de manter a data em que as mesmas foram elaboradas para que pudessem servir como testemunho de seu conteúdo "profético", e como um alerta para aquelas que ainda não foram concretizadas.
ARAMIS NETO






"As lágrimas são a materialização dos sentimentos."
(ARAMIS NETO)






"Um povo ignorante tem como seus representantes políticos corruptos".
(ARAMIS NETO)






"Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz sómente até onde os outros foram."
(Grahn Bell)







"Sempre há um pouco de loucura no amor, porém sempre há um pouco de razão na loucura.!
(F.Nietzshe)







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UMA FRIA TARDE DE INVERNO

                                    

                      Em uma tarde fria de inverno, lá estava ela, a linda e desejada mulher, sentada sobre a pedra fria, em uma tarde fria, contemplando a natureza...

                        Sem que ela percebesse, às suas costas, aproximava-se um homem alto, forte, porém não demasiadamente musculoso. Que a pegou por traz, impedindo sua reação...

                        Levou-a suavemente ao chão. Foi quando ela pode ver a face daquele que supria tanto desejo por sua carne alva e quente...

                        Seus lábios tremiam, seu coração palpitava descompassado, quase que saltando de seu peito que arfava como que implorando por bocas ávidas...

                        Os botões de sua blusa foram sendo abertos um a um, pelas mãos fortes do homem que não tentava esconder o tamanho de sua excitação...

                        Ela sabia que seduzira completamente com sua sensualidade aquele homem, que não se cansava de sentir a maciez de seus cabelos, o perfume de seu corpo e o sabor de seus lábios...

                        Ele continuava a desabotoar sua blusa, com a leveza de uma pluma solta no ar e com o romantismo de um poema. Queria senti-la tremer de desejo, assim como ele o fazia. E instiga-la para que ela não oferecesse resistência às suas investidas mais ousadas...

                        Já vencida em suas forças, ela sussurrava ao ouvido de seu submissor, que o queria tanto quanto ele a desejava...

                        Ele a via ali, deitada, à mercê de seus desejos e ações...

                        Ela, já despojada de suas inibições, começa a tocar com suas mãos macias o corpo do homem. Arranca-lhe a camisa sem se importar com os botões. Passa as mãos pelo peito musculoso, pelas costas largas e pressiona com força sobre a parte da calça que encobre a demonstração de seu desejo por ela. Como uma desvairada, passa a desabotoar-lhe o cinto, abaixa-lhe o zefir e coloca a mão por dentro, achando o que procurava e agarrando-o com força, como que para não deixa-lo fugir-lhe...

                        E neste momento, o homem vislumbra a visão de seus seios rijos e intumescidos totalmente à mostra. Direciona seus lábios a um deles na ânsia de sugá-lo...

                        E o vento frio e forte do inverno, neste instante sopra sobre a linda mulher, cortando-lhe como uma navalha a carne e o sonho...

                        Pois, naquela linda e fria tarde de inverno, lá continuava aquela linda e desejada mulher...Sentada em uma fria pedra em uma fria tarde de inverno, contemplando a natureza...

 

 

ARAMIS – 04/07/06.



- Postado por: Aramis às 21h46
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O REI FALOU E NINGUÉM OUVIU

Inicio da década de setenta, a transformação do mundo era rápida e constante. O homem dava seus primeiros passos no espaço, os protótipos dos atuais computadores tomavam quase todo o espaço das salas especialmente projetadas a eles pelo seu tamanho descomunal, sua linguagem ainda era interpretada por furos em cartões. O mundo voltava seus olhos para o futuro tecnológico já inevitável.
                        Os jovens demonstravam toda a sua rebeldia através dos movimentos da jovem guarda e ao som dos Beatles.
                        De repente a existência de um ser mágico, capaz de fazer coisas impossíveis a um simples mortal atrai a atenção do mundo todo, que esquecendo por alguns minutos toda essa loucura da era moderna, pára para admirar e reverenciar esta figura única que foi capaz até de parar guerras e unir povos inimigos apenas para que tivessem a oportunidade de vê-lo atuar e fazer suas “mágicas acrobacias”.
                        Os jornalistas do mundo todo, os fotógrafos e as emissoras de televisão mundiais acotovelavam-se pelo melhor espaço e melhor ângulo para eterniza-lo em imagens. O mundo inteiro parou para vê-lo adquirir uma marca histórica que até hoje ninguém conseguiu igualar, (me perdoem se estiver errado nesta afirmativa).
                        Transcorreu-se quase todo o tempo estipulado para o tal feito, a expectativa era grande. Todos sabiam que não passaria daquele dia e daqueles próximos minutos.
                        Então de repente aconteceu o que todos que tinham seus olhos voltados a ele esperavam. O momento supremo. Os olhos e as mentes do mundo esqueceram-se das diferenças raciais ou sociais, o espaço sideral já não era tão importante assim. O homem andar na lua? – coisa corriqueira, as guerras não tinham sentido naquela hora. Só o que estava prestes a acontecer realmente tinha importância. Eram apenas alguns passos que o separavam da imortalidade.
                        Foram três ou quatro passos que não levaram mais do que unitários segundos, mas perante os olhos do mundo uma eternidade. A explosão veio logo a seguir com o grito de “GOOOOOOL”, ecoados nas mais remotas partes do planeta. A corrida solitária atrás de seu troféu que jazia no fundo da rede, dessa vez não houve o tradicional soco no ar, a multidão invadiu o gramado, palco de sua performance e os repórteres quase lhe soterraram com suas ferocidades em serem os primeiros a registrar suas palavras após transpor a barreira da imortalidade.
                        Arrancaram-lhe a roupa, todos queriam um pedaço daquele momento, ficou quase nu más não largava seu troféu de forma circular. As lágrimas lhe escorriam pelo rosto já suado, a voz engasgada pela emoção, então ele falou:
                        “ÖLHEM PELAS CRIANCINHAS, CIUDEM DAS CRIANCINHAS”.                          
                        Ninguém entendeu nada, todos se calaram atônitos. O que era aquilo? Que palavras eram aquelas para serem ditas naquele momento?
                        E o ridicularizaram em todas as mídias, nas ruas, nos bares, o herói virou motivo de chacotas.
                        Hoje, passados mais de trinta anos deste fato, vemos que aquelas palavras não foram em vão, pois se as tivéssemos seguido, hoje não estaríamos passando por esse momento de extrema violência ao qual estamos submetidos diariamente. Pois aquelas crianças abandonadas de trinta anos atrás, hoje são homens revoltados e violentos, nem todas, mas a maioria que se enveredou pelo mundo do crime e que sobreviveu. Muitas delas já deixaram seus descendentes que seguem o mesmo caminho. A chacota de ontem custa-nos caro hoje e se não seguirmos hoje aquelas sábias palavras de trinta anos atrás, só poderemos esperar o pior amanhã.
                        REI PELÉ, este foi o gol mais bonito e mais importante de sua vida, mas ninguém comemorou.

                                                                                            ARAMIS – 14/07/05     

      



- Postado por: Aramis às 09h24
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E com este POEMA, encerra-se a “TRILOGIA DAS PUTAS”, (EU AMO AS PUTAS – A VIDA DE UMA MERETRIZ – SOB A LUZ DO LUAR), onde o poeta ARAMIS, tenta homenagear estas exclusas da sociedade. Mas que sempre tiveram um papel especial para a formação e até mesmo a segurança, (isso eu explico), das mocinhas e até das senhoras respeitáveis do “mundinho civilizado”.

                        (Explicando) = Desde o início dos tempos, (esta é a profissão mais antiga do mundo), as putas administram, saciam e controlam o lado mais animal do homem. O instinto da reprodução, do coito, do domínio, da competição pela fêmea, existente em qualquer animal da face da terra.

                        Se não existissem as putas, esses instintos presentes no macho da espécie humana seriam certamente aflorados por todos os recantos da sociedade.

                        Suas presenças em cidades portuárias e grandes centros urbanos, amenizam os estragos que esses instintos poderiam provocar na vida de muitas mulheres de família.

                        Imaginem por exemplo um marinheiro com problemas psicológicos após passar meses no mar, sem a presença e companhia de uma mulher, ao desembarcar em terra firme, ingerindo todo o álcool que pudesse, (ou até outras coisas), o quê não seria capaz de fazer ao ver uma mulher em sua frente, não fosse a existência da puta para escoar-lhe esse lado mais animal em si latente? Ou em tempos passados, um guerreiro voltando do campo de batalha, após meses em confronto sem ver uma mulher, ao voltar para a civilização ou suas aldeias? O que não seriam capazes de fazer com as donzelas do lugar, não fossem as putas? E assim, tantos outros exemplos poderiam ser citados. Mas acho que o poeta já se fez compreender.

                        As putas são o exemplo a não se ser seguido pelas mocinhas de família. Mas a fantasia mais intima de todo casal, entre quatro paredes...”UMA DAMA NA SOCIEDADE E UMA PUTA NA CAMA”...

 

                                            ARAMIS – 10/09/06.

                                                 



- Postado por: Aramis às 12h24
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SOB A LUZ DO LUAR

Sou o rejeito das mulheres ditas sérias.

E o desejo dos homens ditos viris.

Sou o que todas são e não assumem,

O que gostariam de ser para os seus homens,

E não têm coragem.

 

Sou o reverso da educação certinha,

A anti-filhinha do papai.

A anti-mamãe e a anti-esposa.

Mas aquela que sacia a sua sede de sexo,

De prazer, de tesão...

 

Fui por muito tempo a professora de sexo

De seu filho,

Para torna-lo “MACHO”,

Para  faze-lo aprender a gostar da “FRUTA”.

Que levados pelas mãos de seus pais,

Ao completar dezoito anos,

Era confiado à mim torna-los “HOMENS”.

 

Enquanto há luz do dia,

Me viras a cara,

Quando de braços dados com sua amada mulher.

Mas sob a luz do luar,

Mergulhas tuas barbas em minhas partes,

Dizendo querer-me, até não agüentar mais.

Presenteia-me com mimos,

Para esquecer-me novamente na manhã seguinte...

 

ARAMIS – 08/09/06.



- Postado por: Aramis às 12h14
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A VIDA DE UMA MERETRIZ

 

Ela criança!

Brinca de roda, de boneca,

Traz no cabelo uma trança,

No coração uma esperança,

De um dia ir à França, como modelo talvez.

 

Ela mocinha!

O corpo já definido,

Com seios, cintura, anca e à mostra o umbigo.

Não sabe que ao deitar com todos,

Se desmerece  e corre o perigo

De tornar-se descartada,

Indesejada, desamada,

Apenas uma diversão  e motivo de comentários,

Por línguas de salafrários,

Que abusaram de si.

 

Agora não há mais sonhos,

Os castelos de areia tragados pelo mar da vida,

Só resta-lhe agora a ferida,

E os filhos pra sustentar.

 

O abandono da família vem a seguir,

Os pais de seus filhos nem sabe ao certo quem são.

Talvez um bem de vida, um traficante ou um pobretão.

Mas ninguém para os assumir.

 

A diversão não lhe deu tempo aos estudos.

Não viu diplomas, mas conheceu os canudos

Que nas narinas lhe diplomaram.

Quando achava ser a mais astuta,

Agora vende seu corpo,

Sustenta seus filhos como prostituta.

 

ARAMIS – 01/09/06.

 



- Postado por: Aramis às 21h15
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                        Apesar de minha decisão em não mais poetizar, afrontou-me o poeta que não quis se calar.

                        E assim, como no lodo dos manguezais  renasce a vida marinha, do lodo dos sentimentos do poeta nasceu esta pérola...



- Postado por: Aramis às 21h15
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EU AMO AS PUTAS

Eu amo as putas,

Porque a elas eu nada peço ou ofereço,

Apenas combino o preço

Por uma noite de amor.

 

Eu amo as putas,

As dos bordéis são as preferidas.

Com elas curo as feridas,

Que moçoilas casamenteiras,

Por prazeres, pirraças ou brincadeiras,

Sangraram meu coração.

 

Eu amo as putas,

Que circulam semi-nuas pelos salões,

E na penumbra de luzes escarlates,

Entre fortes perfumes, bebidas e falsos sotaques,

Transformam-se nas DEUSAS dos varões.

 

Eu amo as putas,

Pois nos quartos impregnados com cheiro de sexo,

Liquifico-me em suas grutas,

Mesmo que neste ato não haja nexo.

 

Eu amo as putas,

Que me permitem de tudo

Menos o beijo na boca.

Pois se isso ocorre, haverá do castigo o pavor,

Deixando seu coração de ser uma bola oca,

Para sofrer de amor.

 

Eu amo as putas,

Porque delas nada espero

Além dos carinhos de aluguel.

E na hora do gozo,

A representação do seu papel.

Que mesmo sabendo da interpretação,

Sou a sua platéia fiel.

 

Eu amo as putas,

Por ser uma relação sem sentimento.

Quem paga se satisfaz,

Sem dores, ciúmes ou sofrimento.

É apenas um cliente a mais...

 

ARAMIS – 28/08/06.



- Postado por: Aramis às 21h04
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