"Sonhos de um Mosqueteiro"



Este livro (blog) contêm crônicas e poemas por mim escritas, nas quais eu fiz questão de manter a data em que as mesmas foram elaboradas para que pudessem servir como testemunho de seu conteúdo "profético", e como um alerta para aquelas que ainda não foram concretizadas.
ARAMIS NETO






"As lágrimas são a materialização dos sentimentos."
(ARAMIS NETO)






"Um povo ignorante tem como seus representantes políticos corruptos".
(ARAMIS NETO)






"Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz sómente até onde os outros foram."
(Grahn Bell)







"Sempre há um pouco de loucura no amor, porém sempre há um pouco de razão na loucura.!
(F.Nietzshe)







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                         CORRIDA PELA VIDA

 

Desde quando sou lançado no mundo, tenho que ser o melhor.

Não posso me dar ao luxo de ser menos que isso.

A competição é grande, cruel e seletiva.

É uma corrida constante pela vida, só o mais preparado conseguirá.

Deixo meus instintos me guiarem ao meu objetivo. Foi pra isso que vim.

Olho para o lado, para trás. Todos querem o mesmo que eu.

Os mais fracos e menos preparados ficam pelo caminho. Não resistem.

Não posso me cansar, nem vacilar. Perderia a oportunidade de ser o primeiro.

Levo comigo todas as minhas lembranças e toda a minha carga.

Elas começam a pesar. Mas não posso esmorecer agora.

Penso em meu ancestral e só agora lhe dou o devido valor.

Pois agora sei o quão não foi fácil chegar até o final da jornada.

Não posso diminuir o ritmo, ficaria pra trás. E tudo estaria perdido.

Junto minhas últimas reservas de energia, ao avistar meu objetivo.

Mais uma vez olho para o lado. Ainda há muitos que resistem.

Preciso me esforçar mais.

Quando estou próximo da chegada e para ser o primeiro,

Atiro-me de encontro à última barreira, para transpô-la.

Perco um pedaço de meu corpo. Mas finalmente consegui.

Sou o primeiro e o único.

Ainda cansado e ofegante pelo esforço da corrida.

Vejo você se aproximar para me entregar o prêmio da vitória.

E com sua voz meiga e feminina me diz:

- Muito prazer bonitão, meu nome é “ÓVULO”

E eu respondo:

- O prazer é todo meu. Eu me chamo “ESPERMATOZÓIDE”.

   Mas pode me chamar de “ESPERMA”...

E nesse momento ouve-se uma explosão e as células começam a se multiplicar...

 

ARAMIS – 30/01/07.

 



- Postado por: Aramis às 14h04
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                          SIMPLICIDADE

 

Quero a beleza do raiar do sol todos os dias.

Pois mesmo sabendo que toda manhã lá ele estará,

Sempre nos é inusitada a sua pujança.

 

Quero sentir as gotas da chuva molhando o meu corpo.

Pois assim como ela molha a mim,

Também molha a terra, de onde brotará o trigo,

Que nos saciará a fome.

 

Quero uma nova rosa desabrochando em meu jardim.

Pois mesmo em meio a tantas outras flores,

Sua simplicidade de botão lhe fará a mais bela de todas.

 

Quero ouvir o sorriso de uma criança no silêncio dos gritos.

Pois sei que enquanto ainda  houver uma criança sorrindo,

Haverá esperanças ao mundo.

 

Quero a beleza de ver um pássaro em seu primeiro vôo.

Pois é a hora exata em que ele perde o medo da vida

E se atira ao ar em um primeiro bater de asas,

Aventurando-se em descobrir novos horizontes.

 

Quero aprender a amar as simplicidades da vida.

E que todas as suas naturalidades não me passem desapercebidas.

Pois assim estarei aprendendo a simplicidade do amor.

 

Quero um amor que não avise quando chegar.

Que se instale em meu peito, que derreta o gelo do meu coração,

Que acenda a lareira e queime tudo de velho,

Dos antigos amores e desilusões que há nele guardado.

E que só depois eu me de conta de que ele chegou pra ficar.

 

ARAMIS – 29/01/07.

 



- Postado por: Aramis às 22h50
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                           FANTASIAS

 

Tenho-te em meus braços, em abraços reais.
Olho em teus olhos e vejo um túnel que me leva ao paraíso.
No momento do prazer
Afogo-me no teu silêncio da boca ocupada pelo beijo.

 

Somos sonhos, fantasias, devaneios.
Fechando os olhos e nos deixando levar
Para o nosso paraíso e nunca mais acordar.
Propositalmente oculto teu nome,
Para poder te fantasiar...

 

Nas asas de nossas fantasias,
Vamos voar em nossos delírios.
Mora em mim a vontade de entrar em teus pensamentos.
Trazer-te para os meus e vivermos
Uma fantasia sem pudores, sem vergonhas, sem medos...

 

Vives em minha fantasia, não és real...
A irrealidade me faz idealizar-te como uma força orgásmica.
Dou-me sem reservas ao inimaginável.
És-me a perfeição em físico, alma e sentimentos.
Só vês a mim, só respiras meu ar e só te dás a mim.

 

Envolvidos nos braços, nos abraços,
Mergulhados nos sonhos, nos sorrisos.
Nos despimos de tudo.
Das pessoas, do mundo.
Abrindo a porta, deixando a luz da lua
Nos envolver em fantasia de pura magia.

 

Em sete segundos és tudo que sempre quis.
E assim que me termino em você,
Faço o caminho de volta pelo mesmo túnel dos teus olhos.
E pronuncio teu nome...

 

                      – 17/01/07-
« §mi£ë »                &               ARAMIS

                                                           



- Postado por: Aramis às 01h42
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                      O NADA EM MIM...

 

 

Felizmente a DEMOCRACIA nos permite o contraditório, o direito de nos opormos e de darmos nossa opinião, até de nos contradizermos. Assim também é em relação ao AMOR.

O nada existe. Ele é real e palpável. Ele só se apresenta a quem verdadeiramente amou, a quem sofreu, a quem se deu sem o retorno, a quem se aventurou pelas alamedas escuras do incerto, a alguém que se deixou afogar no oceano das lágrimas brotadas do sentimento doído...Enfim...a quem se deu ao verdadeiro amor.

O NADA vem na contra-mão de uma avenida de mão única chamada solidão e colide frontalmente com o sentimento de que quem ama só. Misturando-se com nossa própria existência.

O verdadeiro amor, é como provar um saboroso doce. Aquele de sua preferência. Degustar até a última porção, lamber os dedos...

E ao final, quando ele se acaba, mesmo que queiramos mais e não mais o tenhamos, bebemos do suco de outros relacionamentos, para saciarmos a sede que o doce do verdadeiro amor nos deixou. Por mais sucos que bebamos, eles não nos saciam, não sentimos seu sabor. E aí nos vem a sensação do NADA.     

Ninguém em sã consciência se furta ao amor, E a maior prova de que ele existe é a nossa própria existência. Somos o fruto do amor entre um homem e uma mulher, existimos pelo simples fato dele existir.

O NADA, apesar de sua aparência fria e carrancuda, também é um sentimento. Ele se interpõe entre os amores menores, ele levanta um escudo de proteção indestrutível.

Gostaria de ter o controle de meus sentimentos e expulsar o nada que habitou minhas entranhas. Mas ele agarra-se firme. É indestrutível e teimoso. E só sairá se sentir o gosto de um doce  mais saboroso que aquele por ele provado...Será que existe?...

 

ARAMIS – 18/01/07.

 



- Postado por: Aramis às 17h13
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                       O MENINO E O PALHAÇO

                        Acaba a sessão do circo. Todos saem da lona central e procuram diversão nas barracas e brinquedos existentes no parque, ou para saborearem as guloseimas típicas desses locais. Como a algodão doce, a pipoca ou o churros.
                        Pedrinho, um garoto de dez anos, acabara de se perder de seus pais, entre uma barraca ou outra, por seus olhos de criança estarem admirados com tantas luzes e atrações que lhe chamavam a atenção.
                        Ele é um menino esperto. Não se desespera. Sabe que seus pais não irão embora enquanto não o encontrarem. Há em seu pulso uma pulseira com seus dados pessoais, seu telefone e seu endereço. Já prevendo uma situação similar. E ele foi muito bem orientado no caso desta situação vir a acontecer.
                        Então, Pedrinho, ainda atraído pelo fascínio do parque, olhando as luzes coloridas que não paravam de piscar, como que o conduzindo à um mundo mágico, começa a caminhar por entre as barracas, levando à boca seqüencialmente, flocos da pipoca que carregava em um pacotinho, o qual seu pai lhe havia comprado momentos antes.
                        Quando passava em frente a um trailer que estava com a porta aberta, olhou para o seu interior e viu o palhaço “quero-quero”, ainda com suas roupas folgadas e engraçadas e sua pintura na cara. Porém, esta estava sendo retocada. Pois o palhaço “quero-quero” chorava aos prantos.
                        Pedrinho, que momentos antes o havia visto no picadeiro, gargalhando e fazendo ele e o restante da platéia também gargalhar, não entendeu aquilo. Achava que palhaços eram seres mágicos. Que nunca choravam, que viviam de risos.
                        Então, Pedrinho, da porta pergunta-lhe:
                        - Por quê você está chorando?
                        - Porquê aqui fora do picadeiro, eu sou apenas o João e tenho sentimentos como qualquer outro ser-humano. Sinto dor, sinto saudades e as desilusões como qualquer um sente. Mas debaixo da lona, sou tomado pelo encantamento da magia dos palhaços, que se alimenta do riso das pessoas e principalmente do riso das crianças. Esqueço das minhas tristezas, para levar alegria às pessoas que me vêem. Disse-lhe o palhaço “quero-quero”.
                        Enquanto conversavam, Pedrinho ouve a voz de seu pai o chamando. Vira-se, sorri e caminha em direção a ele, que o espera com os braços abertos.
                        Nesse momento toca uma sirene. É sinal de que está começando mais uma sessão do espetáculo circense. “Quero-quero”, fecha a porta do trailer e caminha com seu passo engraçado em um sapato de tamanho descomunal, em direção à lona central.
                        Pedrinho então ao ver aquela cena, chamou-o pelo nome: - João!
                        O homem João, fantasiado de “quero-quero”, volta-se e olha para Pedrinho, que largando a mão de seu pai, começa a aplaudir o palhaço, que levando as mãos calçadas em luvas encardidas e surradas, seca a última gota de lágrima que ainda teima em cair.
                        “Quero-quero” sorri, faz um aceno à Pedrinho e caminha com seu passo engraçado em direção ao picadeiro, para mais uma vez alegrar a platéia...

                      

ARAMIS – 12/01/07. 

    



- Postado por: Aramis às 17h13
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E NA SALA DE AULA...   

                         E na sala de aula, a professora, entrevistando os alunos da primeira série primária no primeiro dia de aulas, pergunta a cada um dos novos alunos, o que estes querem ser quando crescerem.
                         Suas idades variam entre seis e sete anos.
                         Márcia, o que você quer ser quando crescer? – Eu quero ser médica professora, minha mamãe é medica e eu quero ser como ela.
                         Luizinho, o que você quer ser quando crescer? – Eu quero ser veterinário, professora. Minha mãe é veterinária e como eu gosto muito dos bichos,
quero ser como ela.
                        Lúcia, o que você quer ser quando crescer? – Eu quero ser feirante professora, assim como a minha mãe. Ela acorda cedo todo dia e tem um monte de amigas na feira.
                        E assim por diante a professora vai perguntando a cada aluno e obtendo suas respostas. Até que chega a vez de Paulinho, um aluno franzino de aparência calma e olhar observador.
                        Paulino e você, o que você quer ser quando crescer? – Eu quero ser mãe professora. E todos caem na gargalhada mesmo não havendo maldade em seus risos, mas sim pelo fato da resposta ter sido dada por um menino. Tendo até algum aluno dito: ” Meninos não podem ser mãe Paulinho, deixa de ser burro!”
                        A professora então, meio que assustada e encabulada, mas sem deixar a “peteca” cair, pergunta como que querendo corrigir a colocação do pequenino: Mas porque você quer ser mãe quando crescer Paulino? – E ele então passa a expor seus motivos...
                        Porque eu quero ser um super-herói quando crescer. E o único que conheço de verdade é a mãe.
                        Ela consegue carregar dentro de si por nove meses um ser, assim como no filme “ALLIEN”. Como aquela heroína fez com o alienígena e ainda espera ansiosa pela chegada deste ser, que modifica todo o seu corpo , a faz engordar, causa dores nas costas, incha as pernas e ainda ama esse invasor.
                        Tem o poder da telepatia, pois sabe ler o pensamento de seus filhos e transporta para si as dores deles para ameniza-las. Tem a força de dez leoas e não se intimida em usa-la se alguém se atreve em tentar ferir suas crias, assim como se fosse o incrível Hulk. É a primeira pessoa a ouvir o som emanado pela criança em sua primeira palavra que quase sempre é “mamãe”. Tem a capacidade de se transformar em várias para fazer as tarefas de casa, do serviço e ainda para cuidar de seus filhos, ela é a multi-mulher.
                        Enfim, a mãe tem o poder de todos os super-heróis que vejo nos desenhos animados, com a diferença de que ela é de verdade. Por isso quando crescer quero ser mãe, para ser um super-herói.
                        A professora que estava exibindo sua barriga de seis meses de gestação, ao ouvir o relato de Paulinho nada conseguiu dizer, apenas aproximou-se e deu um beijo na face daquele que soube descrever como ninguém o que é ser mãe.


ARAMIS – 12/05/06. 

  



- Postado por: Aramis às 17h57
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                         O URUBÚ E AS GARÇAS

 

 

                        Duas garças vinham andando a beira de um rio, graciosamente com seus passos elegantes e largos. Em dado momento, depararam-se com um urubu que fartava-se com os restos putrefatos dos seres mortos que o rio despejava em suas margens.

                        Com ar de asco, uma das garças virou-se para o urubu e disse:

                        - Quer fazer o favor de sair da minha frente que eu quero passar ser nojento, comedor de carne podre.

                        E ambas as garças caíram na maior gargalhada, deixando o pobre do urubu desconcertado e envergonhado de sua condição de comedor de carniças.

                        A humilhação foi tanta, que o urubu que só alimentava-se naquele pedaço do rio, por saber que naquela mesma hora a garça, sua paixão escondida, por ali também ia alimentar-se de moluscos e pequenos peixes, resolveu não mais alimentar-se naquele espaço. Indo procurar um lugar mais afastado. Mesmo sabendo que não mais veria o objeto de sua paixão.

                        O tempo foi passando, os animais mortos juntando-se ali às margens do rio, que sem ter mais o urubu para alimentar-se de suas carniças, começaram a atrair outros tipos de carniceiros.

                        Um dia, quando as garças caminhavam pela beira do rio, uma delas, justamente a que humilhou e desprezou o urubu, foi agarrada por uma hiena que ali estava para alimentar-se da carniça. A outra conseguiu sair voando, deixando sua amiga nas garras de seu agora predador.

                        Antes de levar a mordida fatal, a garça ainda perguntou à hiena:

                        - Sempre vim me alimentar aqui todas as tardes, e nunca vi nenhum predador que me oferecesse perigo, e agora vou morrer nas garras de um que nunca esteve por aqui. Por quê?

                        Olha mocinha, eu e meus amigos nos alimentamos de animais mortos e em decomposição, mas também de animais vivos, apesar de preferirmos os mortos, que não nos oferecem nenhuma resistência. Mas aqui havia um chato de um urubu, que limpava toda essa área não deixando nada pra nós comermos. Não sei o porquê ele saiu daqui. Mas seja lá qual for o motivo, agradeço muito a quem nos fez este favor, pois agora não nos falta comida, nem viva e nem morta. E riu-se em uma risada macabra e assustadora desferindo o golpe fatal na garça que foi a causadora de sua própria morte, menosprezando e humilhando um ser que apesar de diferente dela, a amava e cuidava de sua segurança mesmo sem ela saber.

 

ARAMIS – 24/-8/06.

  



- Postado por: Aramis às 17h02
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