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(CLIQUE NA FOTO) HOJE ME TORNO ADULTO
ARAMIS – 20/02/07.
- Postado por: Aramis às 19h06 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]() (CLIQUE NA FOTO) AMOR DE CARNAVAL É a primeira noite de carnaval. O salão ainda está recebendo os foliões que em suas coloridas fantasias esbanjam alegria. São arremessados ao ar confetes e serpentinas, criando assim o clima perfeito da “Folia Momesca”. As luzes do salão ficam âmbar e a orquestra dá seu primeiro acorde, relembrando uma antiga marchinha de carnaval. A noite vai aos poucos adentrando na madrugada. Existe no ar um misto de cheiro de alegria e das pinturas que enfeitam os rostos e os corpos já suados. Eu em minha fantasia de “MOSQUETEIRO”, com direito a capa e espada de plástico, trazendo à mão um copo de wisky já aguado pelo gelo derretido e caminhando meio que dançando em sentido contrário ao fluxo do salão, dou de encontro com a mais linda “ODALISCA” do baile. Nossos olhares se cruzam por trás de nossas mascaras. O tempo pára nesse instante. De repente é como se tivéssemos sido transportados há uma outra dimensão onde só existisse nos dois. Nesse exato momento a marchinha que toca diz em seu refrão: -”Vou beijar-te agora, não me leve à mal, hoje é carnaval...”. Sem desviarmos nossos olhares obedecemos de imediato à ordem que nos foi dada pelo refrão da marchinha. E assim formamos um estranho par como tantos outros muito mais estranhos que o nosso. Um Mosqueteiro e uma Odalisca, entre pares formados por Bruxas com Piratas, Múmias com Anjinhas, Melindrosas com fantasmas, Zorros com coelhinhas e tantas outras desigualdades. Passamos o resto da noite grudados um ao outro. Abraçados como se já nos conhecêssemos há muito tempo. Muitos abraços e beijos pela madrugada a dentro. Até que finda o baile e te deixo em companhia de suas amigas e parentes, combinando de nos encontrarmos na noite seguinte. Nas noites seguintes nos encontramos sempre no mesmo lugar marcado. E nos divertimos pulando e dançando, ao som da orquestra e das marchinhas de carnaval. Muitos beijos são dados enquanto nossos suores se misturam. É a última noite. O último minuto de folia. A orquestra toca o acorde final. Existem vários corpos de foliões fatigados espalhados pelo salão como ao término de uma batalha. É a vitória da alegria. Nos abraçamos e nos beijamos mais uma vez. Você vai se afastando enquanto ainda continuamos de mãos dadas esticando os braços. Enquanto você se afasta deixa cair a mascara que cobriu seu rosto por todas as noites passadas. Vou em sua direção desviando-me dos obstáculos formados por corpos estáticos e abaixo-me para pegar a máscara que você deixou cair. Só então me dou conta de que nada sabemos um do outro. Nem os nossos rostos vimos. Apenas que fomos por quatro noites um Mosqueteiro e uma Odalisca que se amaram muito. Tenho ainda guardada comigo sua máscara dentro de um saco plástico, que é para aprisionar o seu perfume e a lembrança de quatro noites felizes. ARAMIS – 18/02/07.
- Postado por: Aramis às 11h45 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]() (CLIQUE NA FOTO) QUANDO AS BORBOLETAS VOLTAREM Olho pela janela, vejo um arremedo de jardim. Onde outrora houvera vida, hoje só existem galhos secos e retorcidos. A impressão que tenho, é a de que a vida secou por aqui. A terra ficou estéril, nem o mato cresceu. A micro-fauna migrou para melhores campos. Restou-me a solidão. Lembrei-me das flores, dos frutos, dos pássaros e das borboletas. “A vida repleta de vida”. Olho o calendário, é o início da primavera. Sei, a vida brotará novamente. Elas estão lá, sei que estão. E a natureza as despertará do sono da renovação, da mutação. As borboletas são seres mágicos que nos ensinam o real valor da vida. A segunda chance que DEUS nos dá e o reconhecimento da oportunidade do recomeço. Quando em sua fase de lagarta, ela destrói e devasta tudo que encontra na sua frente em benefício própria, em benefício de sua existência. E quando parece que tudo já foi destruído, que não restou uma única planta. Deus interfere e lhe faz hibernar e lhe dá a proteção do casulo para seu repouso. Um período para reflexão. Neste período acontece o milagre, a metamorfose, a mutação. Onde antes existia um ser disforme, destruidor e temido. Aos poucos vai surgindo uma nova e bela forma de vida. Os primeiros momentos são difíceis, decisivos para sua existência. Ela precisa conseguir. Foi por isso que ela se fez voraz e destrutiva, para poder superar esse momento. Romper a cúpula que a separa da reconciliação com DEUS não é fácil. Algumas de suas irmãs não conseguem, mas mesmo assim contribuem de algum modo na renovação. Enfim ela consegue se livrar da ultima lembrança de sua forma anterior. E arrastando-se percebe algo de estranho em suas costas, que com o contato com o ar e seu próprio esforço, vai-se abrindo e tomando a forma de asas de um colorido alegre e singular. O instinto a faz movimenta-las, e já num primeiro momento encontra-se voando em um plainar de pura beleza. Sua missão agora é embelezar e levar a vida aos mesmos lugares que outrora destruíra. Reparar seus erros anteriores, recompondo e polinizando a flora. Ajudando outros seres. A presença das borboletas em um determinado local, significa que aquele ambiente está em harmonia, em equilíbrio com a natureza, com a vida. E porque não dizer, com o amor... ARAMIS – 07/02/07.
- Postado por: Aramis às 15h14 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]() (CLIQUE NA FOTO) A EXTINÇÃO DOS DINOSSAUROS Era uma noite como outra qualquer. Isso há milhões de anos atrás. De repente um barulho ensurdecedor se faz ouvir e um clarão ilumina o céu como um repentino amanhecer. Era um enorme meteoro que cruzava o espaço e entrava na atmosfera terrestre, seguido por outros de menor amplitude. Com o impacto entre os meteoros e a crosta terrestre é levantada uma espessa nuvem de poeira, que encobre os raios solares, deixando o planeta envolto com a escuridão. O resultado da colisão é a mesma de que se houvessem sido detonadas milhares de ogivas nucleares. A radiação se espalha pelo planeta afetando as espécies vivas. Pelo fato da atmosfera da época ser feita de ar rarefeito, a radiação se faz mais concentrada há uma certa altura do solo. O que a faz ser mais sentida pelos seres mais avantajados, como os grandes dinossauros. As espécimes menores são beneficiadas por estarem mais próximas ao solo, onde a radiação tem quase nenhum efeito. Muitas foram as conseqüências desse desastre. O resfriamento do planeta, a escassez dos alimentos. Porém, nada foi mais devastador do que o desastre genético ocorrido nos grandes habitantes do planeta. Devido aos seus grandes portes, suas exposições à radiação foram constantes. O que causou-lhes uma mutação genética, fazendo com que essas espécimes desenvolvessem uma disfunção sexual. Uma apatia fornical. O tempo foi passando e por não mais haver o ato sexual intra-generus, o instinto de perpetuação da espécie, deixou-se de serem criadas novas vidas. O que fez com que não houvesse uma reposição da espécie no planeta. E aos poucos os grandes dinossauros foram se extinguindo do planeta. Até sua extinção total. Já os pequenos seres, que não perderam suas capacidades de procriação, tiveram a chance de se reproduzirem com facilidade. E por cada vez ser menor o numero de predadores, eles puderam adaptar-se ao novo eco-sistema e mutarem-se até o surgimento das espécimes atuais. Se não foi exatamente isso que aconteceu, a teoria tem sua lógica... ARAMIS – 11/02/07.
- Postado por: Aramis às 17h21 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]()
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POR UM SEGUNDO Eu só queria ter a certeza de que te fiz feliz por um dia, Por uma hora, por um segundo... Eu só queria saber-me teu por essa unitária infinidade de tempo. Que teus olhos só tiveram olhos pra mim, Que teu corpo ansiava pelo toque de minhas mãos, Que tua boca quis meu beijo E que eu habitei teu coração por um segundo. A simples e complexa infinidade de um segundo. Tempo suficiente pra se mudar tudo. Se construir ou se destruir o mundo. Em um segundo se cria a vida na multiplicação dos gametas. Em um segundo também se extingue a vida, findando-se tudo. Um único segundo e o universo transmuta. Um segundo para mudar o resto de minha vida... ARAMIS – 04/12/06.
- Postado por: Aramis às 06h59 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]() (CLIQUE NA FOTO) NÁUFRAGO Por descuido meu, Caí da segurança de minha vela em teus olhos de mar. Tua verde imensidão em verdes correntezas afasta-me Cada vez mais de mim mesmo. Verdejo-me vendo-me como em uma tela sem nome. Bóio para não afogar-me. Faço amor com a menina dos teus olhos, Surfo nas ondas de uma lágrima que escorre em teu rosto. Aparo-me em teus lábios, onde sou tragado de volta por tua língua. Deslizo garganta à baixo, conhecendo teu interior. Tento agarrar-me em cada célula de teu corpo. Transformo-me em sangue e circulo em tuas veias. Por um tempo faço parte de tua vida, Como um “FETO” ao se desenvolver no ventre do etéreo. Duas vidas em uma só, a união cósmica. E de repente sou expelido de tua alma e de teu corpo, Como um aborto... ARAMIS – 17/01/07.
- Postado por: Aramis às 16h53 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]() (CLIQUE NA FOTO)
MORTE O que é a morte, senão apenas o despertar de um sonho? Este sonho o qual estamos vivendo agora, neste exato momento. Onde somos espectros de nos mesmos. De alguns sonhos, não queremos acordar nunca. Já, quando estamos vivendo um pesadelo, nos debatemos tentando despertar para a segurança. Somos projeções de nosso imaginário, em uma dimensão ainda desconhecida. A morte nada mais é do que acabar de sonhar. Voltar ao cotidiano do que realmente somos. Não devemos temer a morte porque ela não existe. Assim como isto que chamamos de vida, também não existe. É só o nosso sonho. Deus nos deu essa sensação como premio. Para podermos senti-la em um imaginário onde não há o menor risco, “o sonho”. Mas quem somos nós afinal? Somos essas pessoas que nascem, crescem, se ferem, choram, riem, sentem dores, odeiam, amam e morrem? Deus nos deu os sonhos em sonhos, para que possamos entende-los e aceita-los. A nossa realidade é a de que somos apenas ANJOS SONHANDO... ARAMIS – 02/02/07.
- Postado por: Aramis às 00h10 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]()
(CLIQUE NA FOTO) DESISTÊNCIA Eu desisto da vida que nunca levei, Eu desisto dos sonhos que nunca vivi. E da saudade dos bons momentos que poderia ter sentido. Eu desisto de tudo aquilo que não me foi vivido. Qual foi o meu pecado cometido? Em outras vidas talvez! Pois nesta eu nada fiz. Já nem falo do amor, Pois de não tê-lo, até já me conformei. Falo da simples existência...do se ser feliz... Que a morte se aposse do meu corpo. Que maldigam as bocas sequiosas do infortúnio, Que meus sentidos cessem de sentir as dores, Que não haja em meu peito vestígios de rancores, No intra-gélido e inerte pedaço de carne morto. Brinda-me a nécro-poesia, Com o brincar das palavras em agravo. Em um momento de extremo gótico, Quando cessada da vida toda a magia, Resta-me apenas este desejo macabro, De não mais brindar a luz de um novo dia. ARAMIS – 01/02/07.
- Postado por: Aramis às 17h13 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]()
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