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COMIDA O corpo necessitado pede. E só o que podemos fazer é obedecê-lo. Nada mais nos resta a não ser saciá-lo. E nutri-lo de vida, abastecê-lo. O gesto mecânico de alavanca, À boca levando o fruto da terra ou da matança, Enquanto as salivantes papilas dançantes pré-degustam, Aguçam o paladar ou regurgitam a oferenda vinda em abundância, A fartura que nos permite a desumana extravagância. Fartos pedaços, simplesmente abandonados para o estrago. E a consciência leve que me leve o pecado pra longe. Mesmo ante aos olhares perplexos... Não sou responsável pela fome do mundo. O capitalismo me dá o direito aos excessos. E quanto àqueles que nada têm, Que possuem apenas o escárnio saco de ossos Que pecados cometeram, além o de terem nascido, E amargarem o que se lhes chamam de vida. Contraste impiedoso, O tudo e o nada... As aulas de anatomia em corpos que ainda vivem. O descaso do mundo ao seu próprio nicho. O olhar que nos pede do cárcere moribundo, Restos, sobras de nosso rico lixo. A antropofagia, Ato repulsivo aos cristãos, Far-se-á necessária um dia. A sobrevivência da raça falará mais alto. Os valores ora ainda existentes cairão incauto. A nuvem do caos fará sombra no mundo. E a racionalidade do homem desaparecerá No vale mais profundo. DEUS, Perdoe-nos por tê-lo abandonado, E seus ensinamentos em nossa consciência, Não mais ter ecoado, Lance-nos como sementes ao sabor do vento, Faça-nos germinar no amor, pois ainda há tempo... ARAMIS – 29/03/08. - Postado por: Aramis às 00h14 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]()
LEALDADE Sê leal aos teus ideais.
Teus amigos, tuas conquistas, teus sonhos.
Sê leal às tuas convicções, Mesmo que a tua volta o céu se feche em relâmpagos clarões, E lhe traga a vida momentos tristonhos. Sê leal a teus pais, teus filhos, teu país. Finque no quintal pátrio a tua raiz, Que em tempo certo tua sombra se fará matiz, E pintará na cara o sorriso de um dia feliz. Sê leal à tua religião, Mesmo que não a tenha, Pois, em todas, o amor se faz a lenha, E arde em fogo no peito, A vontade de se ter a senha Do amor ao irmão e por ele o respeito. Sê leal às mudanças sonhadas na juventude. Que na vida adulta acomodaste na atitude, E cedeste ao sonoro encanto do vil metal. Que antes, quando sonhavas, Achavas para o mundo ser letal. E hoje compactuas com este mal. Sê leal antes de tudo a ti mesmo, Pois se enganas a ti, enganas ao mundo, E, tuas virtudes jogarás no abismo mais profundo, Lançando a sorte tua e dos teus a esmo... ARAMIS – 29/02/08. - Postado por: Aramis às 13h10 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]()
A BAILARINA A plateia aguardava ansiosa o descerramento das cortinas. As luzes foram-se diminuindo, como se na escuridão transportássemo-nos a uma outra dimensão. De repente, um forte foco de luz, saído da outra extremidade do salão ilumina o centro do palco. As cortinas então se abrem e surge como uma indescritível visão a bailarina.
A princípio imóvel como uma estátua viva. Aos poucos ganhando movimentos lentos como que se avivando pelo som da melodia, ganhando vida e graça.
Cada acorde um movimento, uma interpretação. A bailarina conta com seus passos uma história. A combinação da música com a dança eleva-nos a um estado de êxtase, transmitindo um tempo de paz.
Aos poucos somos sugados pela magia do espetáculo. E nos sentimos parte de uma tela a óleo.
Os passos da bailarina carregam nossas sensações e sentimentos para um lugar entre os sonhos e a fantasia.
As leis da física são quebradas. O corpo torna-se mais leve que o ar. A bailarina flutua com a leveza de uma pluma e a beleza de um anjo.
O espetáculo prossegue. Meu corpo estático em um NIRVANA CATALÉPTICO, como que na presença de uma Divindade Olímpia.
Vejo a minha frente um cisne agonizante em seus últimos momentos. Em um lago de águas azuis e límpidas, contrastando com as cristalinas lágrimas vertidas dos olhos da plateia . Outros cisnes se aproximam em um ritual de despedida. A solidariedade dispensada até o último suspiro.
Finda a representação da morte. As luzes voltam a iluminar o ambiente. Minha alma retoma meu corpo em uma dolorida possessão da realidade.
O espetáculo termina. A bailarina volta a ser apenas uma mulher, sem pás de deux, sem fouettés, sem penchée, sem demi-plié, sem adage, ou sem arabesque.
E assim, eu, a bailarina e a plateia, retornamos à vida comum. Com toda a realidade que ela nos propicia.
ARAMIS – 04/03/08.
- Postado por: Aramis às 11h20 [ ] [ envie esta mensagem ] :: Enviar esta mensagem ![]()
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